(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

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Repente

 

De repente, o vocativo "rei" torna-se o formal "senhor",

com dor demais e sem qualquer aviso.

Ironia de um lado, amargor do outro —

ato inconsequente que se fez preciso.

 

De repente, o que se jurou eterno,

em dias e noites de instantes lindos,

fez-se, de súbito, um inverno

atemporal, desnatural, infindo.

 

De repente, o sol esfriou

num inexplicável afastamento.

 

O véu da ilusão, a realidade, incontinente, rasga.

Os momentos se acinzentam dia afora,

a voz da alma, abatida, em silêncio se engasga,

e a alma, inconformada, de repente chora.

 

Um ciclo se encerra,

qual engrenagem que o tempo emperra —

no início, bem lubrificada,

ao final, sem valia, desdenhada.

 

E resta-lhe um canto qualquer,

que pode ser de alforria,

ou, para o que der e vier,

ante tanto lamento, quem sabe um livramento,

um último salve-se quem puder...

 

Jamais saberemos se somos novos ou velhos de verdade,

mas sabemos que temos a eternidade.

E para tudo o que não vivemos,

não faltarão — mesmo que breves —

outras tantas oportunidades.

(RAS)
Enviado por (RAS) em 12/09/2026
Alterado em 12/09/2026


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