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Repente
De repente, o vocativo "rei" torna-se o formal "senhor", com dor demais e sem qualquer aviso. Ironia de um lado, amargor do outro — ato inconsequente que se fez preciso.
De repente, o que se jurou eterno, em dias e noites de instantes lindos, fez-se, de súbito, um inverno atemporal, desnatural, infindo.
De repente, o sol esfriou num inexplicável afastamento.
O véu da ilusão, a realidade, incontinente, rasga. Os momentos se acinzentam dia afora, a voz da alma, abatida, em silêncio se engasga, e a alma, inconformada, de repente chora.
Um ciclo se encerra, qual engrenagem que o tempo emperra — no início, bem lubrificada, ao final, sem valia, desdenhada.
E resta-lhe um canto qualquer, que pode ser de alforria, ou, para o que der e vier, ante tanto lamento, quem sabe um livramento, um último salve-se quem puder...
Jamais saberemos se somos novos ou velhos de verdade, mas sabemos que temos a eternidade. E para tudo o que não vivemos, não faltarão — mesmo que breves — outras tantas oportunidades. (RAS)
Enviado por (RAS) em 12/09/2026
Alterado em 12/09/2026 Comentários
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