(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

Entre a degradação e a sublimação 
 

     Há noites tempestuosas em que a insônia impede os olhos de se lubrificarem, ressecando-os e ardendo como se expostos a um sol intenso.

     Nos cômodos de uma mente sobrecarregada, cercada de enigmas criados pela própria consciência culpada, ouve-se um ruído agudo e constante, enquanto alguém, em posição fetal, delira e sua frio.

     De algum lugar vêm cantos de pássaros assustadores. É a imagem fiel de um umbral: uma projeção mental de quem está desassossegado e perdido em seus próprios erros.

     Assim se descreve o que se entende por inferno. Ali não é quente, é um estado de consciência, consequência de escolhas equivocadas e contrárias aos Ensinamentos superiores. O tempo parece parar. Não há o jogo de luzes de sóis e luas, apenas penumbra e escuridão, onde vultos pálidos se destacam em um cenário frio, lamacento e sombrio - um inferno às avessas.

     O que mais se aproxima dessa construção mental é a solidão causada por uma desilusão amorosa, por aquela aposta que no início parecia segura no amor único e definitivo.

     É assim que o homem purifica a alma, entre dores e contrariedades. Somos carbono puro forjado sob alta pressão e temperatura até nos tornarmos diamantes.

     É preciso entender que toda metamorfose exige atrito e que, mesmo na diversidade das provações, é necessário agradecer.

(RAS)
Enviado por (RAS) em 03/09/2026


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