

![]() Entre a degradação e a sublimação Há noites tempestuosas em que a insônia impede os olhos de se lubrificarem, ressecando-os e ardendo como se expostos a um sol intenso. Nos cômodos de uma mente sobrecarregada, cercada de enigmas criados pela própria consciência culpada, ouve-se um ruído agudo e constante, enquanto alguém, em posição fetal, delira e sua frio. De algum lugar vêm cantos de pássaros assustadores. É a imagem fiel de um umbral: uma projeção mental de quem está desassossegado e perdido em seus próprios erros. Assim se descreve o que se entende por inferno. Ali não é quente, é um estado de consciência, consequência de escolhas equivocadas e contrárias aos Ensinamentos superiores. O tempo parece parar. Não há o jogo de luzes de sóis e luas, apenas penumbra e escuridão, onde vultos pálidos se destacam em um cenário frio, lamacento e sombrio - um inferno às avessas. O que mais se aproxima dessa construção mental é a solidão causada por uma desilusão amorosa, por aquela aposta que no início parecia segura no amor único e definitivo. É assim que o homem purifica a alma, entre dores e contrariedades. Somos carbono puro forjado sob alta pressão e temperatura até nos tornarmos diamantes. É preciso entender que toda metamorfose exige atrito e que, mesmo na diversidade das provações, é necessário agradecer. (RAS)
Enviado por (RAS) em 03/09/2026
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