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Há tanto eclipsado nos versos de um poeta, a ponto de não se saber os seus sentimentos. Vai de uma alma em fúria a um Ser de Luz… Há tantas saliências na superfície de uma régua não captadas a olho nu… O íntimo verdadeiramente revelado num poema só se vê com os atentos e sensíveis olhos do coração. O que sangra nas entrelinhas são segredos que, por tanto amor, fazem-se em implícitas lágrimas. No fundo, a vida não é nada poética: é nua, frígida e crua. Os poetas são uma espécie de “inteligência artificial”, mas com resultados infestados de sentimentalidades. O poeta minimiza terrores e tragédias em busca da beleza de seus escritos. Não me arrisco a cravar se trata-se de inteligência emocional ou espiritual. O poeta é o artesão que age nos extremos dos sentidos para suavizá-los, tornando-os digeríveis, apreciáveis… Quanto à forma e ao mérito, quem mais se aproxima da missão de um poeta são os palhaços. Há os que se equilibram na corda bamba, os que riem no infortúnio, os que só fazem rir. Mas, a princípio, ninguém é de ferro. Há os corações pétreos, jazigos dos amores; esses não são poetas, nem palhaços, são jogadores ardilosos nos tabuleiros das existências. Que prevaleçam os poetas e os palhaços; que sobrevivam e prevaleçam a poesia, ainda que triste, e os sorrisos, mesmo que faltem dentes. (RAS)
Enviado por (RAS) em 10/08/2026
Alterado em 10/08/2026 Comentários
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