(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

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Paixões: do útil ao fútil

 

Os ciclos se encerram quando o útil se faz fútil.

É um trem danado em circuito fechado, sempre os mesmos passageiros, as mesmas cargas. O tempo todo, todo o tempo.

O condutor percebe: já não há estações. Não se revitaliza mais nas gares, desde o infeliz início da jornada.

Sacudidos, os ocupantes despertam para a futilidade. Das janelas constatam que até as paisagems são as mesmas. E lembram do tempo da utilidade, quando havia troca de interesses, de importâncias, de influências.

De repente, acaba o combustível. O trem, já senhor, coberto de senis marcas.

Nada passa em branco. Fervilham as reminiscências: o apito longínquo, o atrito das rodas nas emendas dos trilhos, a fumaça vista ao longe, riscando povoados e cidades que nasceram à margem daquele circuito outrora vivaz e dinâmico.

Apesar do abandono bruto e súbito, os trens deixaram saudades. Muitas saudades.

Ciclos são sinônimos de utilidade. E ficam tantos amores cíclicos, enferrujados, à deriva, à beira de uma estrada de ferro, de semblante triste e frio.

No fim, composição e estrada, ambas férreas, tornam-se apenas recordação. O tempo todo. Todo o tempo.

(RAS)
Enviado por (RAS) em 10/08/2026
Alterado em 10/08/2026


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