
Eu hoje sangro palavras escritas num papel em branco, tal e qual minha vida.
Minha inspiração traz estilhaços de sentimentos idos, mas ainda com a força de machucar…
Estrondos ensurdecedores de outrora doces declarações, mas que, na trajetória do passado até aqui, foram sendo incrustadas de reminiscências e formando um invólucro a blindar sonhos vívidos intensamente vividos…
E lá desse passado vem uma espécie de jogo de retalhos multicoloridos, perpassando eras, costurando saudades e desejos.
Agente causador de muitos sofrimentos, projéteis de múltiplos calibres para alvos aleatórios.
Enquanto isso, todo esse apronto afasta-se do objetivo.
A cada batalha inócua, o coração pede trégua, sem se dar conta de que é ele o beligerante…
E o papel cada vez mais se enrubesce em consequência de profundas feridas causadas por escolhas de alvos errados, mal calculados.
Mas a alguém resta a missão de registrar a história.
Se fosse só no papel, tudo bem. Pior é o registro da mente. Pior ainda: o danado do coração lê.