(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

Um anjo num anunciado desarranjo. 

 

E vejo um anjo caído, no firmamento perdido,

Que traiu e foi traído, 

A volitar na solidão. 

Um anjo distraído, por tão pouco convencido,

Pelo egoísmo compelido,

A abrir mão da evolução. 

Um anjo envergonhado, de súbito , destronado, 

Num imenso vazio lançado, 

Pelas garras da ilusão. 

Vejo um anjo em decadência, preso às excrescências, 

Que a sua própria vivência, 

Previsivelmente, o submeteu.

Vejo um anjo na angustura, tão decrépita criatura,

Que ao mundano se rendeu.

Que apostou numa ventura, daquelas que não perdura,

E nada rende, nem depura…

Assim, nem conta, o anjo deu, 

Que no mundo não há anja, pensou encontrar sua canja, 

A sua metade da laranja,

Mas com o diabo se meteu. 

E aí o coitado do anjo , não foi querubim, nem arcanjo,

Mas um exímio tocador de banjo,

Que na gandaia, por derradeiro, se perdeu... 

(RAS)
Enviado por (RAS) em 31/05/2026
Alterado em 31/05/2026


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