

![]() Regressão.
Rimas soam em meus surreais madrigais, declamados em alcovas noturnas, aos ouvidos de quem já não me ouve mais, nas noites, agora, frias e taciturnas… Eu, menestrel das noites nuas, sem estrelas, breus sem luas, que é a abstinência das carícias tuas, a fazer jus ao vocativo, de a “Idade das Trevas”… Do vinho, às alucinógenas ervas, das heresias, intituladas “santas guerras”, apenas o som do alaúde envolvia, amiúde, aquelas noites de quietudes, de tramas, dramas, de sonegar derramas, de morrer nas camas, de impostoras e integristas damas… E no alvorecer ser levado à forca ou à fogueira, de venerar pedaços de madeira, sem eira nem beira, enquanto meus versos, nas tabernas replicavam, nas arenas ecoavam e os castelos povoavam… e na aurora… os calavam… Recolhiam-se os amores clandestinos, os amantes retornavam aos seus destinos… quando o bojo do meu alaúde fundia-se ao meu coração. Nesses tempos sombrios, tão rudes, que o amor que, assaz me aprazia, destituído de ousadia, condenou-me à degradação… Tornou triste minha poesia, aí então, qual ébrio eu bebia… e assim, infeliz eu tangia, essas noites de plena escuridão… Uns sentiram as barbáries da aludida Era das Trevas, das noites de terror, mas jamais de retidão, quando fui da morte poupado, para viver degredado e, ali condenado, às gélidas garras da solidão. (RAS)
Enviado por (RAS) em 16/05/2026
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