(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

O coração sendo o coração. 

 

Não há como sair sorriso, de uma boca amarga,

Não há como sair bom cheiro, da putrefata carga,

Não há como haver alegria, numa súbita desilusão, 

Pois todo os bons sentimentos, a tristeza embarga,

E toda angustura, para toda a amargura, se alarga, 

O desejo perdura, o sonho depura, o dorido coração.

 

Não há como esconder os lamentos, ocultar os sofrimentos, 

Não há como esquecer dos momentos, do estouro de sentimentos, 

Quando se faziam eternas, as horas ternas, de vitais energias!

Não há como ignorar os eventos, quando se davam os intentos, 

Fosse na penumbra, o assento, encontros sedentos ao relento,

E a lua, fiel vigia, cúmplice não resistia, sorria, apenas sorria…

 

Assim, frações de tempo se dissolviam entre os pensamentos,

A se revezarem entre passamentos e o  rebentar dos rebentos,

Entre poeiras e lamas, berços e camas, leitos vazios, duros de tão tristonhos!

Entre mormaços e ventos, passos à deriva, incertos e lentos,

Tornando os ofegantes momentos, insossos e enfadonhos…

Alvores de realidade, a tramarem com a verdade, o crepúsculo dos sonhos.

(RAS)
Enviado por (RAS) em 29/12/2025
Alterado em 29/12/2025


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