(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

Assoreamento

 

Quando a saudade na mente se assanha, o coração, qual criança apanha, de chinelo, de vara de marmelo, de espada de São Jorge…

É quando dói as entranhas, por escolhas infelizes, tacanhas, é quando só se tem o farelo, tudo pálido, amarelo e não se leva nada no alforje…

É quando a gente se nivela a quem está por trás da cela, que acende a inútil vela e que se perde pelas procelas, o ritualístico dorje…

A saudade é assim, tudo longe, tudo esconde, a imagem de um bonde, quando tudo era belo…

A saudade enfim, é como se viesse em mim, pelos poderes dum caborje…

A saudade provém do vazio, de um desditoso arredio, de algo que já foi sadio e singelo.

A saudade é um trem esguio, a explodir sem pavio!

Transborda por bordas de sabores, de cores, de prazeres, de tudo o que não velo, ora é pimenta, noutra dulcíssimo caramelo.

A saudade é um rio comprido, que alaga o “caboco” ferido, que olha pro céu perdido e deságua, num sofrido “modão”, a saudade é rio cheio, de lembranças das andanças, carentes de vazão…

A saudade brota nos olhos prantos inglórios e deles faz cachoeira, em triste precipitação, quando à justante e por todos os quadrantes, inunda o assoreado coração…!

(RAS)
Enviado por (RAS) em 29/09/2025
Alterado em 30/09/2025


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