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Eu queria ser o novelo para o teu crochê, A pantufa para o teu pé aquecer, E “uma brasa, mora?” nos embalos do “iê-iê-iê”… Um cachecol a envolver a tua alma, A plateia apaixonada a encher-te de palmas. Queria ser o rococó do teu bordado, Queria ser o bibelô do teu agrado. Queria estar com você em Woodstock, Viajar no psicodélico som do rock, Viver numa Kombi grafitada, em alucinógena poesia… Queria te levar aos festivais da canção Ou num barzinho, com banquinho e violão, Onde a cultura genuína emergia. Eu queria te mostrar o meu real talento, Saltar do trem, do bonde, do ônibus em movimento… Eu queria te levar aos áureos bailes à fantasia, Contigo viver os extremos: a gentileza e a rebeldia, Inviabilizar o deflagrar da aterrorizante Guerra Fria E, ao dizer: “Bicho, paz e amor”, a paz de pronto renascia… E, invariavelmente, o amor o desamor vencia. Eu queria te mostrar a magia que havia nas fotonovelas, A rústica beleza a desfilar nas telas e passarelas, A genialidade dos Beatles e suas baladas mais belas… A Apollo 11 a aterrissar na vazia vastidão fria da Lua… E, na penumbra de um cinema, Esquecer todas as cenas Ao juntar de novo a minha boca à tua. (RAS)
Enviado por (RAS) em 15/08/2023
Alterado em 16/08/2026 Comentários
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