(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

Quando se é criança, o rio é mar…

Lá vai a canoa
Sem estibordo, sem bombordo, sem proa,
Com quatro metros de areia…
Lá vem a canoa…
A transpor o coração da pessoa, 
Que de mais rasa vida anseia.

Haviam peixes e caboclos d’água,
Vidas nuas, cruas e sem mágoas… 
Se nas cheias o rio vaza,
Rompe muro, invade casa,

São apenas consequências…
Selvagem, no seu pedido de socorro, 
Indômito, inunda várzeas, encobre morros,
Em eficaz demonstração de resistência. 

Mas um remanso o rio ainda franqueia,
Um rio de sonhos rasos, sonhos factíveis nos acasos
Das finas, grossas e médias areias.
O coador e o remo pesados careciam ser dominados, 
Quais corações de meninas…
E o rio de águas escuras, acolheu tantas travessuras,
Fez parte de tantas sinas!
Turvo reino de Iara, onde lavei minha cara,
Fiz fieiras de molinas.

E como uma nau aprendi a flutuar…
Sentindo-me acolhido nas garras de um mar…
Ali nadei, mergulhei, fui Tarzan,
Acendi velas, nas procelas de Iansã.
Temi as tocas dos medonhos caboclos d’água,
Que sugavam quem à noite navegava…
O que ninguém, tal crença, desafiar ousava.

À banca rumava a canoa cheia de leveza,
A favor ou contra, a insistente correnteza…

Oxalá, um dia ser uma elegante escuna…
Que rasgasse as águas mansas,
Antes das vis lambanças, e das ressentidas lembranças, 
Do doce moço Paraibuna.

(RAS)
Enviado por (RAS) em 11/09/2021
Alterado em 13/06/2025


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