(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

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Batear

 

O meu prazer é lapidar os vocábulos,

Por outro lado, não sei bem me expressar,

Em meu galope há sempre trocas de cavalos,

Cavalgo ensejos, sem conseguir me desviar.

Nesse ofício, vale saber usar a rima,

Como na vida é bom saber usar a flor,

Uso a doçura que há na laranja-lima,

Para adoçar um inesperado dissabor.

 

Trago meus versos nas rédeas do meu tempo,

E há nas estrofes os reflexos de um viver,

Meus poemas têm os mesmos dons do vento:

Ora é brisa que afaga, ora vem tudo varrer.

Eu sou poeta, um persistente sonhador,

De sonhos bons e repletos de magia,

Se me faltam rimas, não me falta o amor,

O que mais inspira minhas meras poesias.

 

Alegrias e tristezas alternam-se nos caminhos,

E nos estribilhos revezam-se risos e prantos,

Meus versos são bateados e catados com carinhos,

E assim se fazem suportáveis os desencantos.

Na bateia agito frases que, ainda brutas,

Formam versos de inestimável valor,

Como um pomar colorido pelas frutas,

Como um jardim perfumado em flor.

 

Eu sou o poeta que a todo amor exulta,

Os madrigais exorcizam minhas dores,

Se é do encanto que meu versejar resulta,

Torna-se insosso versejar nos dissabores.

Batear pressupõe encontrar o ouro,

E versejar é o lindo vocábulo a se esboçar.

Versejar e batear trazem mais que tesouro,

Dão ao poeta e ao bateeiro o privilégio do sonhar.

(RAS)
Enviado por (RAS) em 03/01/2017
Alterado em 15/08/2026


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