(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

1824476.png
 

São os sonhos que nos alçam

 

Hoje sinto em meu rosto os sulcos pelo tempo riscados;  
Hoje minhas pernas cansadas procuram, cambaleantes, assento no tempo;  
Hoje, o gris dos meus pelos prateia meu envelhecido corpo;  
As lembranças me invadem e buscam lágrimas num pranto enrudecido.

Hoje, quase no pódio, vejo que já corri tanto!  
Que escalei árvores e nuvens e pulei os arco-íris,  
Que subi morros para, lá de cima, avistar meus amores...  
E sempre os desci vazio...

Hoje vejo que fui passarinho, alado de sonhos.  
E assim atravessei céus, mares e infernos,  
E assim fui fênix mil vezes...

_“Imagine um áptero pássaro, coitado!  
Pois o que faz especial a tão frágil criatura são as suas asas...”_

Ao se irem, os anos depenam-me... tiram-me o sono...  
Roubam-me os oníricos ninhos...  
Assaltam-me a esperança, armados com a precisa flecha da desilusão.  
Qual Ícaro, sonhei alto demais...  
Tive os sonhos derretidos pelos efervescentes raios da realidade.

Hoje me deito nas recordações e adormeço no doce embalo de um suspiro:  
Ah, meu Deus! Como sonhei desperto...  
Quantas asas eu tive e quantas derreti!  
Quantos ventos mudaram minhas planejadas rotas!  
Mas todos os caminhos percorreram os meus desejos, disso não me queixo.  

Oxalá sejam regeneradas as minhas asas!  
O homem sem sonhos não vive — simplesmente — vegeta.

(RAS)
Enviado por (RAS) em 06/09/2016
Alterado em 23/07/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras