(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

O Sol que Apagou

  
O bom sonho não se sonha só. Sonho é um querer quimérico. Há que se saber seu custo, se há coragem para comprá-lo, se realmente vige à vontade ou se o alicerça em discursos...  

 

Felicidade é banquete divino. Aos mortais, migalhas que dele caem. Tornam-se deuses os que sonham juntos. Até voam e superam Ícaro, nos alados sonhos de amor e não apenas no de voar. Sonhos de amor são sóis que ardem. E quando se ferve, comumente, pula-se fora ou de vez derretem-se as ceras... E aí, escolhe-se o pretenso verdadeiro sol...  


E o tempo é seta certeira dos deuses. E muda-se o rumo do voo... Mas, resta ainda o alcance dos raios, daquilo que já foi muito desejo!  

Entardece, vem a noite, às vezes eterna e fria noite, sombria até... E o que palpitava em êxtases, torna-se um titânico vazio, uma insistente ave a bicar-te o fígado...

 
Se presenteias teus sonhos com fogo, aos deuses desobedeces... Amores ardentes invejam as deidades e só se realizam com cumplicidade e inquebrantável querer...  Sozinhos não suportam, sequer sobrevivem!  

Sempre se escolhe o que menos queima. Então resfriam-se os sonhos a qualquer sereno, esfriam-se os desejos, a ponto de se apagar o efervescente sol: - A única felicidade... Tão quente!  

Triste ressurge a realidade... na solidão projeta-se o que valeu a pena, a contrastar-se à impensável frustração: a descoberta de se ter sonhado só.

(RAS)
Enviado por (RAS) em 15/08/2016
Alterado em 13/07/2026


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