(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

O equilibrista. 

 

Traduzem minhas estrídulas e anímicas dores os vocábulos, ora silentes, em lágrimas vertidas, ora em poética súplica, como se a verdugos dirigidas. 

 

Necessariamente, doem os embates com as teias que se engendram nas multiplicidades dos enredos terrenos... Insônias velam vazios e, no alvorecer, sepultam a esperança. 

 

Então, a poesia é a haste transversal, com que se equilibra o poeta pela bamba fiação que tece os depurantes e desafiantes enleios. Para o poeta, sempre haverá um sol a aquecer e dourar instantes bonitos, a eliminar-lhe as fobias e vertigens, a tornar-lhe tangível a angustura do trajeto, a diminuir o espaço temporal entre a noite sofrida e a mesmice do dia que raia. 

 

A poética abordagem da vida suscita a esperança perdida, a vontade de se ir em frente, nos desgostos profundos dos insensíveis ventos, que batem e insistem em bambear a já tênue corda, por absoluta incapacidade de esticá-la.

O poeta segue no seu intento de chegar no outro lado, pois sabe que esses insensíveis ventos também passam…

(RAS)
Enviado por (RAS) em 27/04/2016
Alterado em 03/07/2026


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