

![]() O equilibrista.
Traduzem minhas estrídulas e anímicas dores os vocábulos, ora silentes, em lágrimas vertidas, ora em poética súplica, como se a verdugos dirigidas.
Necessariamente, doem os embates com as teias que se engendram nas multiplicidades dos enredos terrenos... Insônias velam vazios e, no alvorecer, sepultam a esperança.
Então, a poesia é a haste transversal, com que se equilibra o poeta pela bamba fiação que tece os depurantes e desafiantes enleios. Para o poeta, sempre haverá um sol a aquecer e dourar instantes bonitos, a eliminar-lhe as fobias e vertigens, a tornar-lhe tangível a angustura do trajeto, a diminuir o espaço temporal entre a noite sofrida e a mesmice do dia que raia.
A poética abordagem da vida suscita a esperança perdida, a vontade de se ir em frente, nos desgostos profundos dos insensíveis ventos, que batem e insistem em bambear a já tênue corda, por absoluta incapacidade de esticá-la. O poeta segue no seu intento de chegar no outro lado, pois sabe que esses insensíveis ventos também passam… (RAS)
Enviado por (RAS) em 27/04/2016
Alterado em 03/07/2026 Comentários
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