(RAS)

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

Regaço.

 

Quando estou contigo, eu consigo me ver feliz e recordar inesquecíveis momentos. Pela minha tão breve infância eu passeio, qual abelha, por entre aromas do cítrico vergel. E em ti posso sentir a maciez da tez dos saborosos frutos do viçoso pessegueiral.

 

Teus olhos são duas nascentes dos rios, onde eu refrescava minha pueril nudez. A salinidade de tuas lágrimas é a mesma de onde certa vez pulei sete ondinhas e joguei flores. Teu olhar me vigia, me guia, me admira, tal qual olhar de anjo, olhar de mamãe.

 

Teus sorrisos me lembram as bonanças após as temíveis tempestades noturnas e infindas. E o teu abraço me remete ao único cômodo de laje, do frágil barraco, como as peças de dominó em pé. Onde por instantes esqueço meus medos dos ventos, arrancando sem dó minhas vulneráveis telhas...

 

Tua cor me lembra o ocaso, de imensa lua deflorando a noite, com a força irresistível de Ogum. E no teu regaço, onde sossego o facho e me debruço, depois de vadiar em tantos mundos de bandidos e mocinhos...

 

Por fim, no teu amor eu vejo as festas e seus adornos, regadas a doçuras e prazeres, onde encantado, contente e destemido, com gana e gula eu mergulho e me lambuzo!

 

(RAS)
Enviado por (RAS) em 21/10/2015
Alterado em 22/06/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras