O cravo e a rosa - tão frágeis!
Não me questiones se onde fulgem os amores,
É protegido da cruel desilusão,
Pois nem os santos, no altar de seus andores,
Estão livres de uma queda até ao chão.
Não me questiones se onde os corações se entregam,
É escondido das friezas da razão,
Pois à frieza da razão punhais se agregam,
E cortam o fio da meada da paixão.
Não me questiones se onde fulgem as paixões,
Pode aninhar a pureza de um amor,
Pois é assunto mais afeto aos corações,
Que passionais, já são treinados para a dor.
Não me questiones as razões do coração,
Pois já nem sei se a razão aí vigora,
Pois que o amor construído sem razão,
A paixão, o coração tolo devora.
Meu coração, sem noção, sempre abusa,
Indiferente ao que estou a lhe avisar,
Depois ferido, arrependido me acusa,
Das trapaças desse mundo descuidar.
Coração sempre “levado” e sem jeito,
Um desafeto quando o caso é sentimento,
O causador de tantos males ao meu peito,
Merecedor das dores dos meus sofrimentos.
Ah, coração, coração!
Por favor, dá-me mais tempo,
Pois não é tempo de outra vez se apaixonar,
Espero nesse necessário entretempo,
Meu coração ser convencido sossegar.