Dama de pedra.
Dama que engana o Rei e o Valete,
Quer ser Rainha e amante.
Dama na lama iludida se perde,
Faz qualquer jogo ficar delirante.
Dama que sabe seus naipes usar,
O Rei e o Valete são-lhe blindagem,
Ofusca outras cartas, no jogo é vulgar
Até no que professa consegue vantagem.
A Dama que trai há que ser abatida,
Alijada do jogo, sem mérito nenhum,
De forma vulgar, tantas vezes comida,
Pelo Rei e o Valete e quiçá mais algum…
São cartas e pedras e tantos cenários,
Onde a Dama é rainha da ludibriação,
Pois engana o diabo, os mortais, os otários
E tida por santa, pela multidão.
E quem dela é vítima sente a frieza,
Da forma ardilosa com que o jogo encerrou,
E nos tabuleiros, em cima das mesas,
O Rei e o Valete, a Dama enganou.
Escapou de todos os blefes ilesa,
O Rei desorientado com a Dama ficou.
O Valete amante pagou a despesa,
Do jogo que, pra ele, ali terminou.