Nenhum ocaso dá-se ao acaso.
Ali, na esquina da noite com o dia,
Onde o triste sorriso sorvia,
A frieza de calçadas vazias
E no pranto - um fim que ardia!
Ali, um pedinte pedia,
Aos passantes de mentes vazias,
Notícias do seu grande amor.
Ali, onde a penumbra da aurora
É uma distante senhora,
Saudades, filhas do agora.
Ali, a tristeza vigora,
Sendo de quem ali chora,
As agruras de um desamor.
Ali...
E lá se vão altas horas,
É quando a razão vai embora
E a sua fotografia,
A mente carente aturdia
E sua presença lhe implora.
No seu lugar... melancolia,
De saber que quem bem me queria,
Nessa triste aurora fria,
Ironicamente, ali, me ignora.