

![]() Voos noturnos.Aves noturnas a traquinarem desejos, Sobrevoam o negrume da noite que diz, Nos solfejos do vento, dos velhos realejos, Que com cumplicidade o voo é feliz.
A paixão é o breu que turva o olhar, Dessas aves traquinas e inseparáveis, Que não perdem o afago do plácido voar, Pois já padeceram de ventos instáveis.
Aves boêmias nos galhos a estacionar, A procura do ninho que lhes seja aconchego. Dribla-se os orbes, no céu a vagar, A causar-lhes a fúria e o desassossego.
Sufocados os gorjeios por ora proibidos, Aos voos felizes, em ventos confusos, Marcantes deleites por amor permitidos, Pois são breves voos, de cunho escusos.
No entanto, o que todo esse voo embala E faz correr riscos, para se enternecer, É a felicidade tamanha que cala, Os ais que resultam de imenso sofrer.
São as aves noturnas, cegas de dia, De rotas negadas aos sãos corações, E o voo no entanto, instintivamente, desvia, Mas o surpreendente, os ardis das paixões. (RAS)
Enviado por (RAS) em 01/04/2013
Alterado em 03/02/2026 Comentários
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