Ronaldo

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

Confidências astrais.

Às vezes eu contemplo o sol e vem-me a vontade de pedir para que ele pare. 
Uma louca vontade de contrariar Copérnico e facilitar esse sobrestamento, que tanto desejamos quando aproxima-se o final.
Mesmo crendo que sempre haverá recomeços…
Ah, Rei Sol, eu estou te culpando de tudo, como se tu fosses a materialização do tempo, então eu te imploro que pare, que me deixes buscar os meus arrependimentos e rever meus devaneios e loucuras.
Amigo Sol, diga a irmã Lua que aguarde um pouco…
Quero recolher os meus erros e me questionar se são ou não dignos de arrependimentos…
Ou serão apenas erros performáticos e característicos de mortais aprendizes?
Eu fiz o que me satisfazia e isso pode ser egoísmo ou por outro lado poderia eu estar primeiro me amando, para depois me dar aos outros. 
Podem ser tantas coisas…
Mas se o tempo teimar em ser tão impassível assim, não poderei chegar a uma conclusão.
Aqui na Terra, tudo é tão dúbio! 
Estamos sempre à procura de quem ou o que culpar, e eu estou contrariando as normas e pedindo-te, ó Rei Sol, que assuma, como um expert jóquei, as rédeas do tempo e puxe-a e deixe-me mirar e fotografar meus momentos de insensatez, num raro instante meu de reflexão.
Quero que minha consciência, ainda nessa existência, formule o meu libelo acusatório, para que eu possa seguir e não pecar mais…
Acima de minha consciência há um Deus justo, misericordioso que perdoa e nos manda ir e não mais ofendê-lo, existe um Mestre que amou a todos nós, indistintamente, a ponto de entregar Sua vida.
Eu quero, Rei Sol, ter a oportunidade de saber em que ofendi o meu Deus e voltar para aula ciente de que preciso estudar mais.
Sei que estás parado, ó Rei Sol, como manda a Lei Natural, que és, como eu , apenas frações de átomos da vontade divina. 
E o tempo se faz naqueles relógios automáticos, uns de titânio , outros de ouro,  outros nem tanto, em que metaforicamente, se resumem as  nossas vidas, somos números, ponteiros, despertadores, movimentos harmônicos e precisos, uma engrenagem perfeita…
Seguem-se os necessários mistérios...
Sempre, alguma coisa que não vemos estará criando relógios automáticos e, eternamente, dando-lhes corda e deixando-lhes marcarem as suas horas.
Obrigado, Astro Rei, por nesse fim que se aproxima, seres meu confidente e por me mostrares quão efetivas e incomparáveis são as obras de Deus e por me fazeres entender que dentre essa infinitude de mundos, eu apenas marco horas.
Ronaldo Aparecido Silva
Enviado por Ronaldo Aparecido Silva em 23/12/2017
Alterado em 23/12/2017
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