Ronaldo

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

Volatilidade.

Eu só quis sentir, por vez derradeira,
Ser tomado, mais uma vez,  pela brevidade da juventude.
Eu só quis viver, novamente, a selvageria
Daquela irresponsabilidade envolta de leveza,
Eu só quis gargalhar, descontroladamente,
E sem motivos, como dantes,
 
Eu só quis reviver o desligado, a atravessar o mundo no descuido,
Com as mãos no bolso da surrada calça, a imitar o jeans,
E chutando latas, absorto, como que encantado...
E ser atropelado por carroças e bicicletas,
Qual pardal abestalhado a ignorar alçapões e visgos,
Mas já com os dentes do juízo a serem arrancados.
- Relevem o trocadilho!

Eu só quis tecer no meu tempo presente, 
A intensidade daquela lúdica idade,
Mesmo consciente dessa desnatureza
Mas, eu quis sentir…
Atinei-me de que revezei o constante ir e vir, aquém e além de mim,
Estranho foi perceber que o fiz timidamente,
Quando o destino era as profundas entranhas de minha alma,
E que, para tanto, não será suficiente o meu tempo.

Em frenéticas resiliências, às vezes padeci,
Na míope busca da sobrevivência, por vezes tropecei, 
Ao  conhecer os meus anjos, a tudo resisti,
Se era para amar, profundamente amei,
Dopei-me em overdoses de sonhos loucos
E neles, qual menino viajei.
Vi,pelo caminho, sonhos mortos pelo medo, estirados, lívidos... 
Semblantes de arrependidos, a expressarem o nada...
Tão somente o nada!
Então, foi aí que me dei conta de que, até aqui,
Verdadeira e intensamente, eu vivi.
 
Ronaldo Aparecido Silva
Enviado por Ronaldo Aparecido Silva em 17/07/2017
Alterado em 18/07/2017
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