Ronaldo

Nem tudo que reluz é ouro. (Mas reluz!)

Textos

Minha estranha ternura..

Sangue nas minhas veias corre e ferve.
Jamais fui boneco de neve!
Nem por mais breve,
Nunca estive do sol distante.
Não sou fantasma de invernos,
Estou mais para os infernos,
Não sou dos polos habitante,
Pois o que me ferve queima e teima
É o que me move, me comove, me envolve
Nas altíssimas temperaturas passionais.
Minha alma é eterno verão a descoagular,
A facilitar o efervescer de sentimentos intensos. 
Como o fogo, sou inconsequente demais!

Sou um sol de tão pequenina grandeza!
Mas de mesmíssima profusão.
Não sou de sombra...
Nem de brisas…
Eu sou pura emoção!
Tenho asco do morno,
Tudo em mim termina em forno,
E eu renasço de cinzas…

Do vulcão eu sou a lava;
Das profundezas, o magma;
Do Olimpo, a tocha;
Do churrasco, a brasa;
Da tempestade, o relâmpago ;
Do Apocalipse, o Absinto;
Sou o Nordeste e o Saara.
Vermelha é a minha cara,
Se eu te abraço nunca mais sara,
Serei ferida dorida, inflamada e rara.
Então fuja! Se esconda, aparta-te de mim!
Evite, dessa bendita forma, ter em mim 
o teu macabro e chamuscado fim.

Sou aquele frenético cão a avançar contra o automóvel em movimento,
E quando o veículo para, não sabe o cão o que mais fazer…
Enquanto que para o cão, o frenesi é o movimento do carro, para mim é a eterna busca de meus flamejantes desejos, sonhos e devaneios...

No fundo, eu sou apenas um coração…
Nada mais que um compulsivo coração.
Ronaldo Aparecido Silva
Enviado por Ronaldo Aparecido Silva em 07/02/2018
Alterado em 25/03/2018
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